terça-feira, 6 de outubro de 2015

Crianças prodígio de hoje (matemática, ciências e outros)

Todo mundo aspira alcançar sucesso profissional o quanto antes. Geralmente o pico da carreira é alcançado durante a vida adulta, por outro lado, algumas pessoas são tão talentosas e inteligentes, que mesmo sendo ainda crianças conseguem superar a maioria dos adultos. Houve muitas crianças prodígio ao longo da história, como Mozart e Einstein, e outras têm surgido nos últimos anos. Veja quais são as crianças geniais da atualidade.

1. Mikaela Fudolig

Mikaela Irene Fudolig entrou na Universidade das Filipinas aos 11 anos. Ela se formou em bacharelado em Ciências Físicas aos 16 anos e era a melhor aluna de sua turma de formandos. Atualmente ela faz PhD e é professora na mesma universidade em que estudou, com interesse em econofísica, que é a busca de abordagens conceituais dos problemas econômicos usando ferramentas e métodos da física estatística.

2. Akrit Jaswal

Akrit Pran Jaswal da Índia se tornou conhecido quando realizou sua primeira cirurgia, com apenas sete anos de idade. Embora ele não fosse um médico na época. Ela era considerado um gênio médico onde morava. A cirurgia foi nas mãos de uma criança de oito anos de idade, que foi vítima de queimadura. O garoto entrou universidade de medicina aos 12 anos, e aos 17 anos já estava graduado em Química Aplicada. Hoje, ele trabalha em busca da cura para o câncer.

3. Taylor Wilson


Taylor Ramon Wilson é a pessoa mais jovem do mundo a construir um fusor nuclear. Aos 10 anos ele construiu uma bomba e aos 14 o fusor. Em maio de 2011, ele ganhou o prêmio International Science and Engineering Fair Intel, graças ao seu detector de radiação. Em fevereiro de 2013, ele falou na conferência TED em 2013 sobre as suas idéias sobre reatores nucleares subterrâneos de fissão nuclear auto-suficientes. Ele projetou um aparato compacto que poderia gerar 50 megawatts de energia e precisaria ser reabastecido apenas uma vez a cada 30 anos.

4. Cameron Thompson
Cameron Thompson é um prodígio da matemática do norte do País de Gales. Quando tinha quatro anos de idade ele corrigiu seu professor sobre sua afirmação de que zero é o menor número, dizendo que ela esqueceu os números negativos. Ele começou a estudar matemática na Universidade Aberta aos 11 anos e com a mesma idade. O garoto foi destaque na BBC em um documentário sobre as dificuldades de que um gênio adolescente encontra. Ele tem dificuldades em seus estudos porque sofre da Síndrome de Asperger, mas, sem dúvida, Cameron é um gênio da matemática.

5. Jacob Barnet

Jacob Barnett é um matemático americano. Quando tinha apenas dois anos de idade, foi diagnosticado com autismo moderado a grave. Os médicos disseram que ele poderia não ser capaz de falar, ler, tornar-se independente em atividades básicas diárias. Jacob mostrou aos médicos que estavam errado aos soletrar o alfabeto de trás para frente quando tinha 3 anos. Com a mesma idade, ao visitar um planetário, Jacob respondeu a pergunta do apresentador de por que as luas de Marte são de forma estranha. Aos 10 anos de idade ele se matriculou na Universidade de Indiana.Enquanto estudava, ele afirmou que um dia poderia refutar a Teoria da Relatividade de Einstein. Atualmente ele está trabalhando em seu PhD em Física Quântica.

6. March Tian Boedihardjo

March Tian Boedihardjo nasceu em Hong Kong e é a pessoa mais jovem a se matricular na Universidade de Hong Kong, aos nove anos de idade. Terminou seus A-levels, mantendo um em cursos de matemática avançada e um B em Estatística. Ele também ganhou oito GCSE, que ele tomou, ao mesmo tempo que seus A-levels. Ele participou de um programa de duplo diploma especialmente projetado, bacharel em Ciências Matemáticas e Master of Philosophy em Matemática, que terminou em 2011, um ano antes do que o currículo concebido . Ele está atualmente estudando para um PhD em Matemática nos Estados Unidos.

7. Priyanshi Soman

Priyanshi Somani é uma calculadora humana da Índia. Ela começou a resolver cálculos mentalmente aos seis anos. Aos 11 anos, ela era a mais jovem participante do Mental Calculation World Cup of 2010, competição de cálculo mental da qual saiu vencedora. Ela superou outros 36 concorrentes de 16 países. O primeiro lugar foi conquistado quando a garota resolveu a raiz quadrada de 10 números de seis dígitos em um recorde de 6 minutos e 51 segundos. Para finalizar, ela foi a única participante a ter 100 por cento de precisão na adição, multiplicação e raízes quadradas na história da competição. Ela se tornou a nova titular do recorde mundial em raízes quadradas mentais em janeiro de 2012, quando calculou a raiz quadrada de 10 números de seis dígitos em 2 minutos 43 segundos.

8. Akim Camara

Akim Camara é um violinista prodígio de Berlim. Ele começou a tocar violino aos dois anos de idade e mostrou uma notável memória musical quando ainda usava fraldas e mal sabia falar. Seu instrutor notou que o garoto tinha um ouvido para a música natural e começou a ensina-lo aos dois anos de idade, duas vezes por semana. Ele aprendeu a tocar de maneira excepcionalmente rápida depois de apenas seis meses de treinamento, e fez sua estreia em dezembro de 2003, com a idade de três em um concerto de Natal.

9. Ethan Bortnick

Ethan Bortnick é um músico, compositor e ator. Quando tinha três anos de idade, ele aprendeu a tocar teclado e aos cinco anos começou a compor músicas. Sua estreia foi no The Tonight Show with Jay Leno, em 2007, e fez inúmeras performances depois. Ele é um titular orgulhoso do Guiness World Record como músico solo mais jovem do mundo.

10. Tanishq Matthew Abraham

Tanishq Abraham Matthew está entre os mais jovens membros da Mensa, uma sociedade para pessoas super dotadas, em que ingressou quando tinha apenas quatro anos de idade. Ele começou a mostrar sua genialidade  quatro meses depois que nasceu, quando começou a navegar nos livros infantis e a responder corretamente às perguntas sobre eles.
Ao entrar no Mensa, ele marcou um alto percentual de 99,9 no teste de QI padronizado de Mensa. Aos cinco anos de idade, ele terminou os cursos de matemática oferecidos pelo Programa de Educação da Universidade de Stanford para a juventude, que possui cinco níveis (do jardim de infância ao 5º ano) em apenas seis meses.
Aos seis anos de idade, ele já está terminado o ensino médio e os cursos universitários. Ele foi um dos mais jovens a entrar no Phi Theta Kappa Honor Society. Abraham também publica ensaios no site Ciência Lunar da NASA.
fonte: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/ com adaptações.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dedicatória do livro "O homem que calculava"

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À memória dos sete grandes geômetras cristãos ou
agnósticos: DescartesPascalNewtonLeibnitzEuler,
LagrangeComte, (Allah se compadeça desses infiéis), e à
memória do inesquecível matemático, astrônomo e filósofo
muçulmano, Buchafar Mohamed Abenmusa Al Kharismi,
(Allah o tenha em sua glória!), e também a todos os que
estudam, ensinam ou admiram a prodigiosa ciência das
grandezas, das formas, dos números, das medidas, das
funções, dos movimentos e das forças, eu, el-hadj xerife Ali
Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan
 (crente de

Allah e de seu santo profeta Maomé), dedico esta
desvaliosa página de lenda e fantasia.
De Bagdá, 19 da Lua de Ramadã de 1321.
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— Dedicatória do livro
Referindo-se à esta dedicatória, escreveu o erudito economista argentino, Professor José González Galé: “O conteúdo altamente filosófico dessa estranha dedicatória, pelos nomes famosos que envolve, é uma das lições mais surpreendentes de simplicidade e tolerância religiosa que tenho lido em toda a minha vida”.

Linha do tempo do ensino de Matemática no Brasil

1600  No início da colonização, os conteúdos de Matemática ministrados nos colégios jesuítas estavam atrelados aos de Física, seguindo uma tradição européia de ensino que tinha como base as humanidades clássico-literárias. 

1824  Com a estruturação das primeiras escolas primárias, a elaboração do currículo da disciplina dá ênfase a conteúdos matemáticos relacionados, principalmente, ao sistema de numeração e à aritmética. 

1837  Geometria, álgebra, trigonometria e mecânica começam a ser ensinadas no recém-criado ensino secundário do Colégio Pedro II. A Matemática deixa de ser conhecimento técnico e adquire um caráter preparatório para o Ensino Superior. 

1856  Os primeiros livros didáticos de Matemática feitos no país e adotados pelas escolas de Educação Básica são os elaborados pelo militar, engenheiro e professor de Matemática mineiro Cristiano Benedito Ottoni. 

1920  O Movimento da Escola Nova surge forte em outras áreas e começa a influenciar o ensino de Matemática, incentivando trabalhos em grupo e colocando a criança no centro do processo educativo. 

1929  Com base nas idéias do alemão Felix Klein, Euclides Roxo, diretor do Colégio Pedro II, propõe a criação da disciplina de Matemática (até então, aritmética, álgebra e geometria eram ministradas separadamente). 

1942  Gustavo Capanema promulga a Lei Orgânica do Ensino Secundário, em que o ensino da disciplina segue, em parte, as idéias propostas por Euclides Roxo, no livro A Matemática na Escola Secundária. 

1955  É organizado o primeiro Congresso Brasileiro de Ensino da Matemática. O evento, realizado na Bahia pela professora Martha de Souza Dantas, tem o mérito de dar impulso às reflexões sobre essa área. 

1960  O professor Oswaldo Sangiorgi lidera o Movimento da Matemática Moderna, que defende a disciplina como a principal via para os alunos acessarem o pensamento científico e tecnológico. 

1970  A Etnomatemática, criada por Ubiratan D’Ambrosio, aparece como um movimento acadêmico e começa a ser usada em sala de aula. A idéia é analisar as práticas matemáticas em diferentes contextos sociais e culturais. 

1988  A criação da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (Sbem) propicia o contato mais próximo com pesquisas internacionais por meio de participação em seminários e congressos. 

FONTES WAGNER RODRIGUES VALENTE, COORDENADOR DO GRUPO DE PESQUISA DE HISTÓRIA DA MATEMÁTICA, DA UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO (WWW.GHEMAT.MAT.BR), E PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE MATEMÁTICA
 http://revistaescola.abril.com.br/matematica/fundamentos/ consultado em 5/10/2015

Enteder como as crianças aprendem é fundamental

Os conhecimentos sobre como as crianças aprendem Matemática têm mais de 30 anos, mas ainda não constam dos currículos dos cursos de licenciatura. Aos poucos, aparecem em programas de formação continuada, mostrando maneiras eficientes de ensino da disciplina.
O foco dessa tendência que coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem é apresentar a ele situações-problema para resolver. "O docente tem o papel de mediador, ajudando a construir os conceitos e fazendo com que o estudante tenha consciência do que faz na hora de responder as questões", afirma Sandra Baccarin, do Compasso, grupo de pesquisa em Educação Matemática da UnB.
No livro Didática da Matemática, Roland Charnay afirma: "O aluno deve ser capaz não só de repetir ou refazer, mas também de ressignificar diante de novas situações, adaptando e transferindo seus conhecimentos para resolver desafios".
Guy Brousseau, ao construir a teoria sobre o contrato didático, descreveu as relações entre o professor, o saber e o aluno. O docente tem a função de criar situações didáticas em que nem tudo fica explícito (são os obstáculos). À criança cabe pensar em possíveis caminhos para resolvê-las, formulando variadas hipóteses sem ter a necessidade de dar nenhuma resposta imediata. Esse segundo momento é chamado de adidático. É aí que o aluno usa a própria lógica para produzir. "Assim, começamos a preparar os jovens para pensar de forma autônoma", destaca Cristiano Muniz. Depois disso, é tarefa do professor retomar o planejado, para analisar as hipóteses da turma e sistematizar o aprendizado.
Para compreender melhor as condições de ensino, Gérard Vergnaud elaborou a teoria dos campos conceituais. Ao estudar como as crianças resolvem problemas de soma e subtração, o francês percebeu que elas procuram a resposta usando procedimentos diversos do tradicional, com base em vivências e aprendizados anteriores.

Foi assim que ele classificou os problemas do campo aditivo em seis tipos:

- dois de transformação (alteração do estado inicial por meio de uma situação inicial, positiva ou negativa);

- combinação de medidas (junção de conjuntos de quantidades preestabelecidas);

- comparação (confronto de duas quantidades para achar a diferença);

- composição de transformações (alterações sucessivas do estado inicial); e

- estados relativos (transformação de um estado relativo em outro estado relativo).

Da mesma forma, ele classificou as questões relativas ao campo multiplicativo em três: proporcionalidade, organização retangular e combinatória.

fonte: Amanda Polato (novaescola@fvc.org.br)

O que ensinar em Matemática

Pesquisas sobre a didática da disciplina mostram como os alunos pensam e reforçam estratégias de ensino centradas na resolução de problemas.

É cada vez maior o conhecimento sobre como as crianças aprendem conceitos matemáticos. Pesquisas sobre a didática da disciplina aos poucos chegam aos cursos de formação e começam a difundir uma nova maneira de ensinar. O que antes era considerado erro do aluno ou falta de conhecimento do conteúdo (leia quadro abaixo) agora se revela como a expressão de diferentes formas de raciocinar sobre um problema, que devem ser compreendidas e levadas em consideração pelo professor no planejamento das intervenções, como se pode acompanhar nas fotos que ilustram esta reportagem.
No decorrer do século 20, as discussões se intensificaram, motivadas pelas descobertas da psicologia do desenvolvimento e da abordagem socioconstrutivista, feitas principalmente pelo cientista suiço Jean Piaget (1896-1980) e pelo psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934).
"No Brasil, foi nas décadas de 1950 e 60 que os educadores passaram a se preocupar com a baixa qualidade do desempenho dos estudantes.Em diversos países, propostas para enfrentar as dificuldades começaram a ser construídas e, da busca de soluções, surgiu um novo campo de conhecimento", explica Célia Maria Carolino Pires, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na França, essa área do saber é chamada de didática da Matemática e os os principais pesquisadores são Guy BrousseauGérard Vergnaud, Régine Douady e Nicolas Balacheff. No Brasil, ela também é conhecida como Educação Matemática.
"As pesquisas francesas deram aporte a investigações que concebem o aluno como sujeito ativo na produção do conhecimento e considera as formas particulares de aprender e pensar", resume Cristiano Alberto Muniz, coordenador adjunto do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília (UnB). Essa abordagem tem implicações didáticas, pois coloca o professor como conhecedor do processo de aprendizagem, da natureza dos conteúdos e das intervenções mais adequadas para ensinar.
Aulas em que se expõem conceitos, fórmulas e regras e depois é exigida a repetição de exercícios, tão usadas até hoje, têm origem no começo do século 20. Porém sabe-se que elas não são a melhor opção para a Educação Matemática. "Procedimentos clássicos podem ser utilizados desde que tenham coerência com os objetivos do planejamento e estejam acompanhados de tempo para a ref lexão e a discussão em grupo", observa Muniz.


SITUAÇÃO-PROBLEMA Professorapropõe questões desafiantes para que a turma busque possíveis soluções

Cordialidade e Atenção, se Receber, a Criança retribui...

"O verdadeiro educador não aprende para ensinar, ele aprende enquanto ensina..."

Muitas vezes, de uma forma eficiente, não é possível passar para nossos alunos a pauta didática planejada. Dessa forma, não é novidade quando acabamos por perder completamente o diligente trabalho de dias e noites de estudos, um material que quase sempre será ignorado em sala de aula. 

Se nem mesmo somos capazes de reter a atenção sempre dispersa de um grupo, desejar então que assimilem alguma coisa pode parecer um sonho distante da realidade. Não somos responsáveis, nem temos a pretensão de moralizar ou disciplinar quem quer que seja, e nem poderíamos se o quiséssemos. Mas resta a frustração diante da incapacidade exercer nosso magistério da forma idealizada em nossos primeiros devaneios vocacionais, quando sonhávamos com a possibilidade de que um dia poderíamos, de fato, mudar alguma coisa. 

Quando recebemos aquelas crianças em sala de aula, na maioria das vezes sem que nada saibamos a respeito de suas aspirações pessoais, ou mesmo das suas verdadeiras idiossincrasias, resta-nos cumprir as determinações exigidas pelo programa escolar padrão. É inútil questionar se aquele modelo é ou não edificador, ou capaz de potencializar a cognição de alguém, pois uma vez que não aceitamos as regras, dezenas de outros educadores, na verdade maestros de autômatos, já estão na fila de espera, dispostos a perpetuar o modelo mecanicista. 

Farão sem questionar, sem opinar, como máquinas cegas e obedientes; enfim, apenas cumprindo a carga horária necessária para justificar seus honorários. E assim é com a maioria das escolas, que se tornaram apenas instituições comerciais, sem proposta educacional. Não estão preocupados com a reforma ou construção consciencial de quem quer que seja. 

E ao final do período, cada instituição adotará seus próprios meios para fazer o aluno avançar de grau, ignorando completamente, se como entidades humanas, estão progredindo, ou mais disciplinados, menos ou mais organizados e conscientes de seus papéis dentro de um mundo que ainda não conhecem, e que talvez nunca venham a conhecer. 

Não podemos nos iludir, pois há um limite na trajetória comportamental de um indivíduo até onde podemos atuar. Depois disso, a reforma da sua conduta estará inteiramente nas mãos das vicissitudes da vida, do menor ou maior sofrimento, que ainda é a única linguagem que fala para todos no mesmo tom. É o sofrimento, uma linguagem capaz de criar em cada um deles o desejo de mudar. 

É possível cultivar uma criança, ou um jovem que desde cedo foi regado com os nutrientes certos. Valor algum tem o heroísmo, a resignação docente, se nossos esforços não são recompensados com a compreensão e assimilação de um aluno, que motivado por condicionamentos patológicos se recusa a nos ouvir. 

Não podemos obrigar ninguém a incorporar o conhecimento que se aprende na pedagogia escolar e depois aplicar em sua vida. Muito menos devemos nos iludir imaginando que nosso magistério representa uma espécie de brigada divina, cujo desfecho é a transformação do homem, de onde sairá íntegro e consciente de que construir é melhor que destruir. 

E eis a realidade: temos diante de nós um aluno, cuja vida pessoal para nós é um mistério. Nada sabemos sobre seu temperamento ou família, o que no final, poderá ter um efeito mais determinante sobre sua personalidade que nossos melhores esforços em edificá-lo. 

Diante disso, devemos ser mais realistas e menos idealistas. Um idealista fecha os olhos para muitas realidades, e por isso mesmo, seus esforços são quase nulos. É um sonhador, e por isso ignora o que é real. Sua abordagem não pode construir, uma vez que lida apenas com personagens virtuais vivendo em paraíso onírico.


A Criança aprende cordialidade e respeito quando também assim é tratada pelo educador...

Criando uma Mente Saudável

O Ato de Aprender a Pensar deveria ser a mais importante disciplina dentro da pauta de todas as pedagogias civilizatórias.
"Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..."

Observe uma criança recém nascida, ela ainda não sabe falar, mal consegue enxergar além do seu próprio nariz e é completamente dependente dos seus pais ou responsáveis. No interior do seu cérebro existem apenas as informações necessárias para que ela seja capaz de exercer seu instinto; é por isso que saberá como chorar e assim será capaz de expressar um desconforto físico. 

Ali também já está gravado, em estado de hibernação, alguns aspectos do seu temperamento, o que explica sua futura predisposição para empatizar com algumas atividades ou processos cognitivos e ainda resistir na assimilação de outros.

Mas o temperamento não é tudo, uma vez que precisa de estímulos externos para tomar sua forma definitiva, para se fixar como traços atuantes naquela personalidade, e tudo isso depende de aprendizado, do condicionamento, do treinamento transmitido através do meio onde está inserida.

Para quem ainda não sabe, um bebê não enxerga de forma nítida, seu sistema visual ainda carece de amadurecimento, e nessa fase ele vê tudo difuso, sem uma forma definida, até porque seu centro cerebral, o gerenciador de informações recebidas, ainda está se organizando, ou se calibrando.

Quem ou o que gravou em seu cérebro as informações instintivas, a chamada memória primária ou ingênita, isso não é assunto para ser discutido agora, e a ciência ainda engatinha tentando explicar esse processo. Mas graças a isso, ela já saberá fazer “algumas” coisas, mesmo sem ter recebido instrução prévia de nenhum adulto. Os demais animais, os irracionais, também funcionam segundo esse misterioso critério.

Seus pais ou responsáveis, que já possuem uma razoável experiência de vida, que poderão ser jovens ou adultos, já convivem em um mundo bem conhecido e com regras e protocolos bem estabelecidos, pontuado com suas anomalias, tradições culturais, crenças, ideologias políticas e religiosas, e assim por diante. O modo como estes “responsáveis” vão tratar essa criança, logicamente, vai depender do nível de conhecimento que possuam. Mas, não poderão abrir mão daquilo que já aprenderam da tradição, que herdaram dos seus pais ou de outros que existiram antes destes.

As cantigas de ninar que usarão como acalento para fazê-lo dormir ou diminuir sua ansiedade, serão aquelas já conhecidas, e que também um dia já escutaram. E a maioria dos pais agirá da mesma forma. Irão repetir o próprio condicionamento, essa é a lógica, trata-se de um processo natural.

Mas, aquela criança, ainda não repetiu nada, não tem experiência de vida, por isso não possui memórias, pelo menos as lúcidas, que são as lembranças das coisas vivenciadas, experimentadas em vida. Por isso, ainda não deseja, nem sente raiva ou empatia, nem é medrosa, muito menos guarda rancor das pessoas. Também não planeja um futuro para si, ou é capaz de demonstrar predisposição consciente, racional, de forma seletiva, por alguma coisa.

Nessa etapa, as crianças, estão completamente vazias, e embora não pensem, já possuem o potencial para absorver o pensamento, o modelo cognitivo dos outros. Conhecer a utilidade de uma coisa para depois decidir o que fazer com ela, isso é o ato de pensar, deduzir, avaliar. Mas isso requer experimentação anterior, vivência, memorização, e como elas ainda não passaram por nenhuma dessas fases ou estágios evolutivos graduais, e como não conhecem a utilidade das coisas, então, não são capazes de pensar de forma lógica, objetiva, lúcida.

Mas a capacidade de pensar, isso elas já possuem. Capacidade de pensar é bem diferente de saber pensar. A capacidade de pensar é involuntária, é inata, não depende de memórias, nem de lembranças. O instinto é assim, não carece de experimentação anterior, mas existe. Saber pensar é coisa calculada, cientificada, que requer memórias, lembranças, esclarecimentos, fórmulas ou roteiros de como as coisas funcionam; qual sua serventia. O pensamento é um ordenamento das memórias, de modo que arrumadas de forma lógica, façam algum sentido, signifiquem alguma coisa, capaz de se expressar através de uma ação voluntária do veículo, quer dizer, do indivíduo.

Assim, a capacidade de pensar todo ser humano possui como potencial e isso não depende de suas vontades, ou de aprendizado algum. Já para se construir um pensamento, esse mesmo ser humano, irá precisar de informações, de experiência de vida. Necessita da lembrança, do resgate das suas memórias. As memórias virão, serão formadas enquanto interage com as coisas do mundo. E isso ocorre quando estiver com todo seu sistema sensorial funcionando perfeitamente, pronto para captar e depois interpretar, de forma clara para si, todas as impressões que o bioma onde vive, de forma involuntária ou não, lhe transmite.

Nessa fase inicial, tudo que é gradualmente percebido, capturado, pelos seus órgãos sensoriais, é digno de uma avaliação atenta, mas sem interpretações. Falta maturidade sensorial e o intelecto ainda não está formado. E importa mais a clareza da experiência, a qualidade do toque, cheiro, sensação, do que uma compreensão racional, intelectual, do que está acontecendo.


Nunca devemos nos esquecer de que, para uma criança, coisa má ou boa, ambas, são simples ensinamentos...
fonte: sitededicas.ne10.uol.com.br